Hero Quest

Sogoken 14/09/2017

Sega estragando mais uma franquia

Valkyria Revolution

Valkyria Revolution sacrifica a série para se encaixar nos moldes atuais da indústria, onde action vende mais que tactical.

  • Nome: Valkyria Revolution
  • Plataforma: PS4
  • Lançado: 27/06/2017
  • Finalizado: 24/07/2017
  • Duração: 38 Horas

intro

Para os desinformados de plantão, Valkyria Chronicles é um rpg tático que mistura elementos de ação.

No caso de Valkyria Revolution, é um jogo de ação que tenta utilizar elementos táticos, e que a Sega resolveu lançar em formato de spinoff para que pudesse “revolucionar” tudo que conhecemos, adicionando uma nova jogabilidade.

O motivo para isso é óbvio. A Sega simplesmente queria atacar o mercado ocidental e fizeram várias mudanças nesta série que já era adorada por muitos, para que pudessem atingir um público ainda maior.

Mas chega de enrolar e vamos para a análise.

Valkyria


Parte Boa

Premissa

Neste mundo existe uma pedra de mana (Ragnite) que gera energia. Essa energia é utilizada como combustível para garantir conforto às pessoas como luz, água quente, combustível para veículos, armas militares além de ser fonte de magia.

Em resumo a nação que possuir mais pedras de mana, terá mais recursos e consequentemente será mais poderosa economicamente e militarmente, o que gerou várias guerras em busca de mais poder.

Essa é só a história de fundo, porque na verdade você segue os passos de Amleth que faz parte de um grupo (os 5 traidores), onde cada um tem um papel fundamental (política, exército, mídia, indústria armamentista e espionagem), onde juntos tentam levar Jutland a uma guerra contra Ruzhien, para que possam resgatar a sua professora.

Essa professora era a responsável por eles no orfanato onde todos viviam (sim todos são órfãos), orfanato este que foi queimado, matando a todos de modo que somente os 5 sobreviveram.

Apesar de parecer sem noção, este é um mundo com bastante potencial para conflitos.


Fanservice

Esse pode ser um tópico controverso, pois muita gente não gosta de fanservice, e apesar do público alvo ser ocidental, o jogo é cheio disso, além de várias bizarrices japonesas.

Mulheres peitudas, piadas sem noção e muitas reações exageradas que várias pessoas não gostam ou simplesmente não entendem, mas eu que praticamente cresci vendo esse universo, curto. É o famoso caso de por ser tão tosco, até que fica legal.


Áudio

Existe a opção de colocar as vozes originais em japonês, e vale a pena porque a dublagem aqui está espetacular. No caso do áudio americano, não me dei o trabalho de escutar, já que a japonesa geralmente é superior.

Yasunori Mitsuda, compositor de títulos como Chrono Trigger, Chrono Cross, Xenogears, Xenoblade entre outros, mais uma vez mandou muito bem. Apesar do título possuir poucas faixas, as músicas de Mitsuda são de excelente qualidade e realmente é o ponto mais fortes do jogo.


A mecânica dos livros-menus

Este título possui algumas mecânicas interessantes, como por exemplo toda a história é contada através de um livro que conta as histórias do que aconteceu no passado.

Um estudante de história questiona sua professora sobre o que realmente aconteceu com os 5 traidores, pois segundo ele algumas peças não se encaixavam. Sua professora por alguma razão sabe toda a verdade, e possui um diário com várias anotações.

O diário da professora possui histórias extras da história principal, onde você pode conhecer mais dos personagens, e também desbloquear habilidades únicas de cada um. Para desbloquear este conteúdo, é necessário jogar com este personagem em várias missões, ou então cumprir algum tipo de requisito.

O aluno tem o seu próprio livro, que conforme a professora vai contando o que aconteceu, ele vai fazendo anotações, adicionando fotos e é separado por capítulos. Esse livro serve como menu da história principal, onde você pode verificar a pontuação de cada mapa e rever todas as cutscenes já jogadas, além de conter trechos extras da historias principal.

E por fim você tem o glossário que é o livro que explica sobre o mundo, politica e termos utilizados pelos personagens, que não são explicados em nenhuma outra parte.

Essa mecânica de menus também pode ser encontrada em outros títulos de Valkyria Chronicles e também encontrará uma mecânica similar em Fable III. Como podem ver, o título tentou dar uma ênfase bem grande na história do jogo.


Outras mecânicas interessantes

Também existem outras mecânicas bem legais que quero citar aqui.

Por exemplo se você está em determinado mapa, e fica de noite, existe a possibilidade do seu esquadrão ser atacado pela Valkyria, que é um ser extremamente poderoso e que exige extrema habilidade do jogador, mas caso você consiga vencer, terá uma recompensa proporcional em forma de Ragnite.

Ragnites são pedras de vários elementos que permitem os usuários que têm afinidade a utilizarem magias. Cada Ragnite tem um determinado level que não pode ser alterado e é claro que quanto maior o nível, mais poderosa será. Você pode comprar Ragnite na loja ou ganhar de inimigos derrotados, uma mecânica bem similar as matérias de Final Fantasy VII ou Orbs de Legend of Heroes.

Cada personagem tem determinado nível de afinidade com determinado elemento da Ragnite. Se você é level 05 em elemento fogo, poderá equipar Ragnites de fogo até o level 05. A afinidade de cada personagem em relação a cada elemento, pode ser aumentada através de upgrades na arma, em troca de dinheiro.

Outra ponto interessante é o sistema de quebra de defesa. Existem inimigos que são mais fracos ou fortes contra determinado elemento, podendo até mesmo atordoar os inimigos. Existe uma pirâmide de poder onde água ganha de fogo por exemplo, algo similar ao que vemos nos jogos da franquia Pokémon.


Valkyria menu


Parte Ruim

Baixo orçamento

Este foi um título foi produzido com baixo orçamento. Para ter ideia, o trailer apresentando o jogo é a opening do jogo sem a voz do narrador.

Eles economizaram nos modelos 3d também, que em vários momentos não conseguem passar a emoção necessária na cena, parecendo bonecos sem expressão facial.

O título possui vários momentos que deveriam ser épicos, mas o jogo simplesmente não consegue transmitir a emoção necessária ao jogador, porque muitas cenas são estáticas e cabe ao jogador a ter que imaginar como poderia ter sido, porque a cena foi simplificada para economizar na animação.

Para ter ideia existem várias cenas que o personagem fala de costas pra câmera para simplesmente não ter que fazer sincronização labial com as falas.


Port pro Vita

Este jogo também saiu para o Playstation Vita, e isso limitou ainda mais o título.

São poucos mapas, pequenos e repetitivos. Os inimigos se repetem na sua maioria e sempre vem em pouca quantidade para tentar evitar slowdown que ocorre do mesmo jeito. O lobby da cidade é pequeno e separado por mapas, ou seja, quando passa de uma área para outra vem o loading.

Aaaahhh o loading. Existe tanto loading nesse jogo que chega a dar raiva. Existe loading para mudar de mapa, loading quando você morre, loading para carregar o boss, loading para acessar o menu principal, loading para carregar cutscene, loading depois da cutscene para carregar outra cutscene e até mesmo loading de loading.

Geralmente os loadings são bem demorados, mostrando que o port para o vita fez com que a equipe tivesse que limitar a quantidade de informação carregada na memória, obrigando o título a recorrer aos loadings.​


Mecanicamente quebrado

Neste título você pode definir táticas ao seu esquadrão, como por exemplo atacar os inimigos mais fracos, curar o companheiro se está com hp baixo, dar buff ao personagem principal entre outras coisas. Algo muito parecido com o que vemos em jogos como Tales of ou Final Fantasy XII, mas a diferença é que aqui simplesmente não funciona.

Fora isso, a maioria das batalhas contra os chefes tem aquela típica estratégia esmaga botão. Ou seja, vai pra cima do chefe, ataca por horas até ele morrer. Alguns chefes até exigem uma certa tática para serem vencidos, mas geralmente o esmaga botão resolve.

Você pode utilizar armas e granadas nas batalhas, de forma limitada, mas que na verdade não fazem muita diferença no combate. Os equipamentos como armaduras e botas existem, mais também não influencia muito no combate, tornando a mecânica de crafting de equipamento praticamente inútil. A impressão que tenho é que eles adicionaram essas mecânicas só para falarem que existe, pois não faria a menor diferença se não existissem.

A dificuldade do jogo é inversamente proporcional ao grind. Ou seja, quanto maior o seu level, maior será o seu rank ao final de cada missão. O jogo não valoriza tática, habilidade, equipamentos ou builds. Se você tem um level acima do nível da missão, você vai tirar nota S e pronto.

O jogo obriga que você jogue as mesmas missões várias vezes, pois a dificuldade entre cada missão sobe drasticamente. Por exemplo, uma ou duas missões antes da missão final, é o momento que o jogo disponibiliza o último upgrade de armas (que você vai precisar), e existe uma diferença de 10 levels entre uma missão e outra, sem falar que o chefe final está 10 níveis acima do nível da missão.

Outro ponto chato é que você é obrigado a utilizar determinado personagem na sua equipe por várias missões, caso queira desbloquear a história dele. Se o jogo fosse bom, não tinha problema, mas eu não via a hora dele acabar. O único detalhe aqui é que você só libera o final verdadeiro do jogo se você abrir a história de todos os personagens.

E para finalizar a câmera é horrível.


Roteiro

Apesar dos produtores tentarem dar ênfase na história, eles falharam miseravelmente.

O roteiro é cheio de furos, e existem várias coisas que não são explicadas ou dão uma desculpa esfarrapada como por exemplo o porque a princesa da nação, filha única, está lutando na linha de frente do exército e o rei simplesmente permite.

Além dos furos, o roteiro é totalmente previsível, por várias vezes eu sabia o que ia acontecer mesmo sem nunca ter jogado antes, e o maior motivo disso é que ele se apoia nos clichês mais básicos possíveis.

Para da uma ideia, até o final secreto é previsível.


Valkyria batalha


Conclusão

RankC

Eu via a comunidade falando mal desse jogo, vi as pessoas que testaram a demo odiarem o jogo, mas no fundo eu tinha esperança.

O início não é tão ruim, ele começa mais ou menos mas da metade pro fim ele cai drasticamente, como se tivesse sido feito às pressas. Esse jogo foi tão ruim que até a recepção dele no Japão foi ruim, fazendo que fosse vendido no ocidente por um preço abaixo do valor de lançamento ($40 em vez de $60)

Com certeza essa mancha da série Valkyria Chronicles não merece o seu tempo. Jogue os outros jogos da franquia, mas passe longe dessa bomba!


FacebookTwitterGoogleTumblrReddit