Hero Quest

Sogoken 18/07/2017

Tentando melhorar a receita com mais açúcar

Dragon Quest II

Dragon Quest II é um jogo tecnicamente melhor, mas que infelizmente não conseguiu superar seu antecessor.

  • Nome:Dragon Quest I + II
  • Plataforma:SNES
  • Lançado: 18/12/1993
  • Finalizado: 02/07/2017
  • Duração: 14 Horas

intro

Este título veio um ano mais tarde (1987) no NES, e foi desenvolvido pela mesma equipe. No caso eu joguei o remake do SNES, que teve uma série de melhorias em comparação a versão original do NES.

Na verdade durante essa maratona estou jogando a maioria dos remakes da série Dragon Quest, e o motivo para isso é que eles simplesmente oferecem uma melhor experiência que as suas versões originais.

Por este motivo, se ainda pensa em jogar Dragon Quest I ou II, o melhor caminho até a data de hoje ainda é o remake do SNES que foi criado utilizando a engine do Dragon Quest V.

Simbora então analisar o segundo jogo da franquia, lembrando que farei muita comparação com os jogos anteriores, então se ainda não leu as análises, pode seguir este guia aqui.

Dragon Quest II Intro


Parte Boa

Historia

A história teve uma evolução bacana. Passou 100 anos desde o primeiro jogo, o que aconteceu foi que o herói do último jogo realmente saiu pelo mundo com a princesa, e criaram outros reinos pelo mundo, explicando o porque do worldmap ser maior que o do primeiro jogo.

Existe um mago chamado Hargon, que está tentando dominar e destruir o mundo. O jogo inicia no reino do sul, onde Hargon invade um reino e mata todos que passam por seu caminho, o que é algo que chama atenção, já temos mortes de vários NPCs e o jogo mal começou.

O Rei fala para sua filha fugir, e fica para tentar deter Hargon, mas morre miseravelmente. Um soldado sobrevive e vai até o reino de Laurasia, gravemente ferido, e consegue reportar tudo antes de morrer.

O Rei de Laurasia envia então o príncipe, o personagem jogável, descendente do lendário Loto, para buscar os outros descendentes, para juntos salvarem o mundo.

Finalmente uma “cutscene” de abertura, que dá o senso de urgência ao jogador, e ao mesmo tempo continuando a história que ele já havia jogado anteriormente.

Mais membros na equipe

Como comentei anteriormente, você vai em busca dos outros descendentes, ou seja, dessa vez você começa sozinho a jornada, mas vai recrutar outros 2 personagens, e o três vão em sua jornada para salvar o mundo. Resumindo agora você possui 3 membros na sua equipe.

Cada membro tem suas próprias características. O teu personagem principal, principe de Laurasia, é o típico guerreiro que tem bom ataque e defesa, mas que não usa magia. A princesa de Moonbrooke, é a típica maga que tem bastante magia. E por fim o príncipe de Cannock é um meio termo entre os outros dois personagens.

Ter mais membros na party significa maior estratégia nos combates, o que é algo positivo.

Um mundo maior a ser explorado​

Com a expansão feita pelo príncipe do primeiro jogo, o mapa mundo deste jogo está bem maior.

Em determinado ponto do jogo você ganha a habilidade de navegar, o que te permite a explorar os mares do mapa, e acessar lugares que antes não era possível, aumentando bem a exploração, e o sentimento de liberdade do jogador. E é claro que logicamente você pode voltar no mesmo mapa do primeiro jogo, e inclusive visitar o castelo do Dragonlord, que de certa forma é bem nostálgico.

Também foram adicionados uma mecânica de portais. Devido ao tamanho do mapa, alguns portais estão espalhados pelo mundo e eles funcionam como uma espécie de fast travel.

Outra mecânica que segue, mas que não comentei no primeiro jogo, é a mecânica de chave para abrir as portas. No primeiro jogo, você tinha que comprar, ou encontrar as chaves, e ir usando nas portas para ir abrindo para acessar lugares que antes não eram possíveis de serem acessados.

Agora existem vários tipos de portas, e cada porta só pode ser aberta por determinado tipo de chave. Cada tipo de chave pode ser encontrada, e elas sempre ficam contigo e não são consumidas ao serem utilizadas. Foi daí que surgiram os famosos Key Itens (itens Chave), que hoje em dia encontramos em vários jogos por aí.

Resumindo, o mapa era tão grande, e tão fácil de ficar perdido, que até um worldmap adicionaram ao jogo. Mas é claro que não vem de mão beijada, e você tem que encontrar ele pelo mundo.

Outros pontos que são interessantes de comentar

Agora ao final das batalhas você também tem a possibilidade de ganhar itens.

Vale lembrar que alguns itens também tem habilidades específicas. Por exemplo, se você usar a espada de raio como item, uma magia de raio será disparada nos inimigos, e a espada não será consumida, ou seja, você pode utilizar várias vezes quiser, sem gastar mana. Mas infelizmente isso não é tão apelão quanto eu gostaria que fosse.

O sistema de tocha foi removido, ou seja, você sempre tem a visão total quando entra numa dungeon, não dependendo de acender tocha ou usar magia para ver por onde está indo. Graças a deus removeram essa mecânica!

O jogo continua com seu bom humor, e ainda te dá a possibilidade de fazer o famoso puff puff para a alegria da galera.

Outra coisa que me chamou atenção é que você encontra o neto do Dragonlord, e ele é um cara gente boa que quer ser teu amigo. Interessante ver como eles se preocuparam com estes detalhes que parecem bobos, mas fazem toda a diferença.

Também foi adicionado um minigame chamado Tombola. Traduzido como loteria, nesse jogo que é bem parecido com caça-níquel, onde 3 imagens vão girando e você tem que tirar 3 desenhos iguais para ganhar um prêmio, que pode variar dependendo da imagem. Para jogar esse jogo você precisa do ticket que pode ser encontrado, e também é dropado de alguns monstros. Uma pena que não tinha nenhum item que realmente valesse o esforço.

Dragon Quest II Inn


Parte Ruim

As malditas Crests

No jogo você deve coletar as 5 crests para poder ter uma chance de enfrentar o Hargon. O problema é que existem crests que você tem que saber exatamente a posição no mapa para dar o comando de buscar, mesmo que o lugar não tenha nenhuma indicação de que a crest está ali.

Esse tipo de mecânica deve ter sido criada para vender livros e revistas que te ensinam os macetes, porque ou você é um ninja e descobre sozinho, ou você lê em algum canto como que faz. O máximo que você recebe são dicas dos NPCs, sugerindo que existe alguma crest em determinado lugar, e olhe lá.

Desbalanceamento

Esse jogo consegue ser mais difícil que o primeiro, principalmente no final. De repente os inimigos ficam estupidamente poderosos, e você tem que fazer ainda mais grind para ter uma chance de sobreviver.

Para que tenha uma ideia, aqui vai um cálculo. Os monstros do último mapa dão no máximo 1k(mil) de experiência, e para chegar no lvl 30, o jogador precisa de exatos 1kk(milhão) de experiência. Gostaria de lembrar que como temos 3 membros na equipe, a experiência é dividida, de modo que cada personagem recebe 333 pontos de experiência por batalha.

E não se enganem, mesmo em lvl alto, eu tomei muito hit-kill. Esse jogo é tão difícil, que 90% dos jogadores exploraram um bug na última dungeon, que te deixa semi-invencível. A ideia é usar repel, fugir de todas as batalhas aleatórias, enfrentar os sub-chefes e destruir o chefe final juntamente com a sua forma omega power.

Mas infelizmente esse bug foi removido da versão do SNES.

Personagens vazios sem background

Apesar de agora contar com 3 personagens na equipe, para a história não faz a menor diferença, pois os 3 são tão profundos quanto uma poça de água em dia de calor. Não existe profundidade aqui, eles apenas são descendentes do Loto e seguem em busca de salvar o mundo.

Até existe um certo background aqui ou ali que é comentado por algum NPC, e pequenos diálogos, mas... Eu sei que a equipe tentou adicionar um background, mas falhou miseravelmente, pois não colou dessa vez não.

Sistema de inventário

O inventário continua limitado, o que te força a seguir fazendo micro gerenciamento do que levar. A vantagem é que pelo menos agora você pode dividir os itens entre os 3 personagens.

O maior problema é que você ainda precisa de determinados itens em determinados momentos, e caso você chegue em certo ponto do mapa e não tem o item, você tem que voltar todo o caminho, pegar o item do seu storage, e ir outra vez por todo o caminho para poder utilizar o item da maneira correta e abrir o caminho.

Final do jogo

Diferente do primeiro título, esse jogo possui apenas um final, o que já é um ponto negativo.

Além disso o final do jogo é exatamente igual ao do primeiro jogo, você mata o vilão, volta caminhando pelo mundo seguro, pode falar com os NPCs que vão massagear seu ego dizendo o quanto você é foda, vão tocar a musiquinha no trompete e fim do jogo. A única diferença, é que você vira o rei, e soltam foguetes.

Vale também comentar que até a mecânica de encontrar as crests pelo mundo é bem similar a mecânica do primeiro de conseguir os itens sagrados com os sages.

Dragon Quest II Chefe


Conclusão

RankB

Dragon Quest II é um título tecnicamente melhor, que fez várias melhorias em sua jogabilidade mas que infelizmente errou a mão feio na hora de adicionar a dificuldade.

Se você retirar todas as melhorias técnicas deste jogo, vai perceber que ele basicamente é o Dragon Quest original, pois não houve uma alteração estrutural. A fórmula é a mesma, só que agora tem mais açúcar.

Particularmente eu me diverti mais com o primeiro Dragon Quest, pois apesar da continuação ter criado ótimas mecânicas, que serviram como base de mecânicas que são utilizadas em vários jogos até hoje, não deixa de ser um título que pode ser facilmente ser ignorado.

Seria este o limite do poder de Dragon Quest? O ano era 1987 e em Dezembro nasceria aquele que foi seu principal rival, que mais tarde ficaria conhecido como Final Fantasy.

Mas isso são cenas dos próximos capítulos, e por isso…

Até a próxima!

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