Hero Quest

Sogoken 01/08/2017

O nascimento de uma lenda

Dragon Quest III

Dragon Quest III superou todas as expectativas, sendo considerado por muitos o melhor Dragon Quest de todos.

  • Nome: Dragon Quest III
  • Plataforma: SNES
  • Lançado: 06/12/1996
  • Finalizado: 08/07/2017
  • Duração: 22 Horas

intro

Finalmente chegamos no jogo responsável pela criação da lei que diz que no Japão nenhum Dragon Quest pode ser vendido em dia de semana, pois no lançamento muitas pessoas faltaram ao serviço ou não foram a aula para garantir uma cópia deste jogo.

Lançado em 1988, este título superou a marca de 1 milhão de cópias vendidas no primeiro dia, e quase 300 estudantes foram pegos em flagrante pela polícia por matar aula, ou seja, Dragon Quest III estava vendendo mais que água no deserto.

Tendo isto em mente e jogando com zero-hype (o segundo título foi uma experiência amarga para mim), vamos ver o que este jogo tem a oferecer.

Lembrando que farei muita comparação com os jogos anteriores, então se ainda não leu as análises, pode seguir este guia aqui.

Dragon Quest III Fila


Parte Boa

História bem elaborada

Dragon Quest III faz parte da trilogia de Loto, mas na verdade se passa antes dos outros dois jogos da série, então a ordem cronológica é: DQIII > DQI > DQII.

O jogo possui uma cutscene, que é uma espécie de introdução que mostra a jornada do Ortega, que é o pai do nosso herói. Ortega despede-se de seu filho e esposa para viajar pelo mundo para enfrentar o grande Baramos.

Em uma batalha Ortega cai em um vulcão e desaparece. O mundo segue em perigo, e como ninguém sabe o que aconteceu com seu pai, cabe a você a ir enfrentar o Baramos para manter a paz no mundo, e se tornar o lendário Loto. Sim! Jogamos com o próprio Loto aqui, apesar de que podemos escolher qualquer nome para o nosso personagem.

Sistema de classes

Um sistema inovador é o sistema de classes, onde te permite escolher outros 3 personagens para se juntarem a você em sua jornada. Ou seja, existe um sistema de criação de personagens, e cada personagem você pode escolher seu sexo, nome, e classe além de poder distribuir os pontos em seus status, mas é claro que você pode gerar aleatoriamente.

As classes são, guerreiro, lutador, mago, clérigo, jester e dealer. O lutador é o cara que dá dano e não tem magia, o mago tem magias de dano, clérigo magias de cura, jester é o vagabundo que não serve pra nada e o dealer te dará vantagens como achar mais dinheiro e mais itens nas batalhas. Em resumo, cada classe tem suas vantagens e desvantagens, o que ajuda na estratégia do jogo.

Chegando no level 20, você pode mudar a classe dos seus personagens, e graças a isso você pode ter um guerreiro que solta magias por exemplo, ou um dealer que cura, o que aumenta ainda mais o nível de estratégia, pois alterar a classe de um personagem faz ele voltar para o level 1, tornando ele bem mais fraco. Mas por outro lado ele manterá metade dos pontos de status, as habilidades antigas e ganhará novas habilidades o que poderá ser uma grande vantagem.

Também existe uma classe especial chamada Sage, que é forte como lutador, aprende magias de mago e clérigo, além de ter boa quantidade de MP, ou seja, é o Goku em forma de pixel. A única desvantagem dessa classe é que apenas o jester que serve para nada pode virar Sage, e o Sage é aproximadamente 1.5x mais lento para subir de nível.

O interessante aqui, é que o jogo se preocupa bastante em manter as coisas balanceadas, toda classe tem vantagens e desvantagens o que te força a pensar estrategicamente em como montar seu time.

Os remakes adicionaram a classe ladrão, além de um sistema de personalidade do personagem, que ajuda a aumentar determinado status (hp, mp, atk, int, etc) a cada level ganhado. Essas personalidades podem ser alteradas através de livros que são comprados ou encontrados pelo mapa.

Novas mecânicas

Como comentei anteriormente, neste título você pode escolher o sexo do seu personagem, provavelmente na tentativa de atrair o público feminino, ou apenas para ajudar os marmanjos barbados a personificar a waifu de seus sonhos eróticos.

Existe também um sistema de dia e noite, que muda o mundo do jogo. Durante o dia você verá uma cidade agitada, com pessoas na rua vivendo suas vidas. Por outro lado se entrar na cidade durante a noite, a maioria das pessoas estarão dormindo, e você verá uma cidade mais vazia.

Essa mecânica pode permitir você acessar determinados lugares de noite, que não seria possível durante o dia por exemplo. E algumas vezes é necessário esperar anoitecer/amanhecer para poder realizar alguns eventos da história principal, além de que de noite os inimigos são mais poderosos e perigosos que o normal.

O minigame de cassino foi retirado, e no lugar entrou a aposta na briga de monstros. Basicamente apostamos dinheiro no monstro que achamos que vai vencer, e caso ele ganhe, faturamos muito dinheiro, o que ajuda muito na hora de juntar aquele trocado para comprar aquela armadura.

Outro minigame é o minigame de tabuleiro, onde basicamente temos que jogar um dado e o nosso herói vai pelo tabuleiro, onde cada casa tem um efeito especial diferente (batalha aleatória, ganhar item aleatório, perder hp, voltar ao início e etc), e o objetivo é conseguir chegar até o final onde podemos ganhar ótimos itens. Para jogar este jogo precisamos de tickets que são encontrados ou dropados de inimigos, mais ou menos igual ao jogo anterior.

A mecânica do barquinho está de volta para que possamos viajar pelo mundo, mas também existe outro meio de transporte que não quero comentar para não dar spoilers, mas que te permite voar por aí.

Histórias paralelas

Aqui entra o conceito de histórias paralelas. Resumindo nós temos a história central, que é o objetivo do herói, mas em cada vilarejo que passamos, temos outros pequenos conflitos, que possuem um background, que se assemelham bastante com as sidequests que estamos acostumados hoje em dia, mas aqui fazem parte da história principal

Por exemplo, existe um momento no jogo que temos que abandonar um personagem nosso da classe dealer em um lugar no mapa, pois necessitam dele para construir uma cidade. E conforme essa cidade vai sendo construída, vamos vendo a história desse nosso dealer, como ele está se comportando, como as pessoas reagem com as decisões dele, ou seja, vemos a evolução da história de um personagem que criamos, paralelamente a história principal do jogo.

Outro exemplo que gostaria de comentar por alto aqui para evitar spoilers, é que podemos por exemplo nos tornar o rei de um determinado reino, com direito a capa e coroa. Sim, criaram sprites somente para ilustrar a nossa situação como um rei (um rei de 16 anos, diga-se de passagem).

O jogo foi tão bem elaborado que existe uma tremenda reviravolta (plot twist) que conseguiu me pegar de surpresa, pois aconteceu algo que eu realmente não estava esperando, que mudou totalmente a minha percepção do mundo do jogo. E conseguir fazer algo assim é raríssimo, mesmo nos jogos de hoje em dia.

Outros pontos aleatórios que fazem esse jogo ser foda

Sabe aquele clichê de jRPG do herói sendo acordado pela mãe antes de ir salvar o mundo? Então, ele começou aqui!

Dragon Quest III também é bem mais obscuro que os jogos anteriores. Quero lembrar que esse é um jogo de 1988, e aqui já tratamos temas como suicídio, traição, sacrifício humano, assassinatos, fantasmas que não sabem que morreram entre outras coisas.

Outro ponto importante de comentar, é que as mecânicas de buff e debuff são extremamente importantes para que você possa vencer algumas batalhas, mas que não são necessariamente obrigatórias. Essa variação de gameplay te tira do modo automático de esmagar botões para simplesmente terminar a batalha, te obrigando a pensar no próximo passo.

Você pode visitar lugares dos jogos anteriores, inclusive lugares que estavam completamente destruídos nos outros jogos, aqui você pode visitar quando ainda eram cheios de vida, pois como comentamos, cronologicamente este título vem antes dos outros dois.

E é claro que o puffpuff está de volta, apesar de que dessa vez eu não curti. Quem jogou vai entender.

Dragon Quest III Mapa


Parte Ruim

Falta de personalidade

O que estou comentando aqui é a falta de personalidade dos personagens secundários do grupo.

Apesar de você poder criar os personagens, e existir um sistema de personalidades que pode ser aprendida através de livros, infelizmente essa é a única personalidade que os personagens terão, pois eles não participam ativamente da história.

Loto viaja o mundo e parece que sua equipe simplesmente não existe, pois ninguém faz referência a eles, ninguém conversa com eles, eles praticamente nunca falam entre si, e inclusive é possível terminar o jogo utilizando somente o Loto.

Em muitos momentos do jogo me senti viajando sozinho pelo mundo, pois apesar de ter outros 4 integrantes na equipe, não faria a menor diferença se fossem pessoas, animais ou clones da sombra.

Dificuldade

Rapaz, esse item está recorrente.

Você ainda vai precisar de muito grind para poder terminar este título, mais uma vez a coisa aperta na etapa final.

Um exemplo da dificuldade: Quando você chega no boss final, depois de ter passado por toda a dungeon, e estar fraco, com pouco mana, você é obrigado a enfrentar 3 sub chefes em sequência, para poder enfrentar o último chefe.

E existe um item que você necessita possuir para poder ter uma chance contra o chefe final, só que este item é “opcional” porque a primeira vez que cheguei no chefe eu não tinha esse item, e morri miseravelmente.

Resumindo, ainda existe muito o que melhorar no quesito dificuldade, mas considerando que existem loucos por aí que finalizam o jogo em 3 horas, eu devo ser muito noob.

Final bosta

E para finalizar o final apesar de ser o melhor final da trilogia, ainda mantém o mesmo padrão.

Derrota o vilão, foge da caverna desmoronando, passeia pelo mundo sem inimigos, os NPCs falam o quanto você é foda, volta ao castelo, fanfarra épica de corneta, fogos de artifícios e fim. Virou uma lenda.

Quem sabe uma hora finalmente inovam esse final.

Dragon Quest II Batalha


Conclusão

RankB

Olha, esse jogo realmente me surpreendeu, não esperava que conseguissem extrair tanto do NES. Depois de jogar este título, fica claro o motivo pelo qual foi tão aclamado, porque vendeu tanto, e porque muitas pessoas consideram o melhor Dragon Quest de sempre.

É incrível ver como as mecânicas funcionam bem. O quanto os criadores se preocuparam com o mundo, para que ele continue fazendo sentido, mesmo sendo muito maior que o mundo dos jogos anteriores. O tanto de amor e dedicação em cada detalhe que poderia simplesmente ser ignorado. E tudo isso em tão pouco tempo comparando com o título anterior.

Certamente é um título que merece ser jogado, e só não recebeu uma nota maior, porque a dificuldade perto do finalzinho é frustrante.

Mas será que o próximo título superaria este que se tornou uma lenda? Isso é o que ainda vamos descobrir.

Até a próxima!

FacebookTwitterGoogleTumblrReddit