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A versão mais estranha do Final Fantasy VII

Imagina quando alguém pega o seu jogo favorito e transforma em uma versão 8bits que pode ser jogada em qualquer lugar.

Essa é a historia de Final Fantasy VII - Demake


  • Nome: Final Fantasy VII - Demake
  • Plataforma: NES
  • Lançado: 2005
  • Duração: 8 Horas


intro

Diferente de Remake que é uma versão melhorada para o hardware mais atual, o Demake é uma versão simplificada para hardwares mais antigos, mas o nascimento desse jogo tem raízes muito mais profundas.

Tudo começa quando analisamos o mercado chinês de jogos, que nos anos 2000 sofreu uma censura do governo, onde era proibida a venda e comercialização de qualquer videogame em seu território. Essa proibição tinha a justificativa de que os jovens chineses estavam desperdiçando suas vidas com os videogames, e qualquer console oficial estava proibido circular na China, e assim foi feito por 15 anos.

Console oficial porque como a própria China produz praticamente todo equipamento eletrônico do mundo, e graças a espionagem industrial, várias empresas chinesas seguiram clonando e comercializando cópias "ilegais" dos consoles dentro do mercado chinês, ou seja, os jovens chineses nunca deixaram de jogar o seu amado videogame.

O legal é que esses consoles não oficiais eram promovidos por celebridades da China, como o Jacke Chan por exemplo.

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historia

A empresa Shenzhen Nanjing Technology, uma das responsáveis por alimentar o mercado de jogos da China, lançou de maneira não oficial o Demake de Final Fantasy VII para o Xiaobawang Game Machine, que é uma espécie de clone do Nintendinho.

O Final Fantasy VII original foi desenvolvido em 1997, mas a Shenzhen aproveitou o lançamento do filme Final Fantasy VII: Advent Children para lançar a sua versão 8bits em 2005, ou seja, 5 anos depois da lei proibitiva do governo chinês.

O jogo em si era bem completo, cobrindo principalmente o primeiro disco, enquanto os outros dois cds são parcialmente cobertos, mas temos a narrativa principal do início ao fim, o que é algo inesperado para quem é saudosista do Nintendinho, exceto pelo fato de tudo estar em chinês.

E foi assim até 2013, quando o usuário Lindblum traduziu o jogo inteiro para o inglês, possibilitando que pudéssemos jogar essa preciosidade, mas não é dessa versão que vamos falar hoje, porque em paralelo ao trabalho do Lindblum, outro usuário conhecido como Lugia2009 esteve trabalhando por 4 anos para lançar um port melhorado da versão original chinesa, tendo sua última atualização (versão 1.1) em 2014.

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Parte Boa

Comprimindo 32bits a 8bits

É incrível pensar que um jogo produzido para o Playstation, que contém 3 cds, totalizando 2.1GB de informação foi convertido para um jogo 8bits de apenas 2MB, lembrando que 1GB equivale a 1024MB, ou seja nos discos do Playstation poderíamos gravar pelo menos 1.000 vezes a versão 8bits.

A versão do Lugia2009 usa a tradução do Lindblum, mas ele trouxe várias melhorias como por exemplo: 21 novas músicas para o jogo totalizando 29 contra 8 da versão original chinesa, adicionou 8 novos chefes opcionais, novas animações para os personagens e para as batalhas, mapas redesenhados, um final melhorado, foram adicionado novos eventos e diálogos para dar mais contexto na história, principalmente para completar os gaps que o original tinha no que seria o segundo e o terceiro disco, entre outras melhorias para deixar o jogo o mais parecido possível da versão original do Playstation.

Ah, e agora também dá pra correr no mapa apertando o B.

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Se não dá para manter, adaptamos

O jogo traz um personagem extra comparando com a versão chinesa, totalizando 7 personagens jogáveis. Cada personagem traz consigo uma matéria equipada, e para utilizar as magias, utilizamos a matéria que vai recebendo pontos de experiência até subir ao nível 9 como máximo, um sistema bem similar ao Final Fantasy VII original.

Além disso ganhamos outros 3 tipos de experiência: A experiência que ganhamos em batalha para subir o personagem até o nível 100, a experiência de magias que vamos ganhando cada vez que as utilizamos, podendo chegar até o nível 20, mas para isso necessitamos ir nas lojas de magia, onde também liberamos novas habilidades. E por último experiência das armas que funciona de uma maneira bem similar as magias, onde também necessitamos ir nas lojas para subir de nível.

Apesar do jogo não cobrir o original em 100%, saltando alguns eventos como as Weapons (quem jogou o original sabe), é incrível como ainda consegue ser bem completo, passando por exemplo por: Don Corneo, a torre da Shinra, Reno, Golden Soucer, Corel Prison, Cosmo Canyon, Rocket Town, Temple of Ancients (e a icônica cena da Aerith), Great Glacier entre outras cidades e personagens, até chegar ao desfecho final.

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Divulgando os clássicos

Muita gente conhece outras romhacks chinesas, que eram bem famoso por sua péssima qualidade, como por exemplo o Sonic para o Super Nintendo, que simplesmente era o jogo do Ligeirinho, onde trocavam os sprites, Hong Kong 97 também para o Super Nintendo, que de tão bizarro não consigo resumir do que se trata em um único parágrafo, entre outros.

Por outro lado, esse Final Fantasy VII - Demake foi realmente bem feito dentro das limitações de hardware que encontrava, e as melhorias do Lugia2009 conseguiu deixar tudo ainda melhor, se tornando uma experiência única principalmente para quem jogou o original do Playstation.

É extremamente raro ver um trabalho assim, e é sempre bom lembrar que existem outros Demakes espalhados pela internet, de outros clássicos como Super Smash Bros e Goldeneye 007 (Nintendo 64) para o Game Boy respectivamente, um Guitar Hero para o Nintendinho e o Zelda Ocarina of Time (Nintendo 64) para o Super Nintendo por exemplo.

Realmente eu aplaudo a qualquer iniciativa que possa incentivar a mais gente a descobrir e jogar os jogos que ajudaram a definir a indústria. Sendo oficial ou não, os Emuladores, os Ports, Remasters, Remakes, Demakes ou até mesmo as Hackroms (Traduções e Fangames) tem um papel super importante no sentido de divulgar e celebrar os videogames.

Mas nem tudo são flores.

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Parte Ruim

As limitações de um projeto sem recursos

Pode mudar mecânicas, atualizar sprites, até mesmo fazer mágica, mas não tem jeito, o jogo continua sendo executado em um hardware 8bits. E isso nos leva para mecânicas da velha guarda como um combate lento por turno, inimigos aleatórios e músicas enjoativas.

Apesar das melhorias do Lugia2009, o jogo ainda está bem resumido, muito conteúdo nostálgico foi cortado e os 2 personagens secretos não são jogáveis nesta versão por exemplo. O rebalanceamento de dificuldade ajudou bastante, mas o jogo continua sendo difícil e o grind continua sendo extremamente necessário, tornando tudo bem frustrante.

Existem momentos em que fica muito evidente a falta de recurso da equipe do projeto, e para exemplificar temos layouts confusos, inimigos reaproveitados de outros jogos de Final Fantasy, textos simplório e direto ao ponto, eventos que não fazem muito sentido para quem não jogou a versão original entre outros detalhes que tiram a imersão do jogador, e qualquer vontade de continuar jogando por muito tempo.

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Conclusão

Final Fantasy VII - Demake é um excelente port para os 8bits, mas ainda continua sendo um jogo não oficial rodando em um hardware de mais de 30 anos.

É um jogo que vai agradar os fans da franquia Final Fantasy, mas apenas como algo curioso para experimentar por poucos minutos, mas se tiver a paciência e gostar de jogos antigos nesse estilo vale a pena para relembrar, principalmente pelo jogo ser relativamente curto.

Para quem nunca jogou o Final Fantasy VII original, recomendo que o faça. Hoje em dia ele está disponível para quase todas as plataformas e o jogo até trás a facilidade de acelerar as batalhas em 3x da velocidade normal. Existe a outra opção de jogar o Final Fantasy VII Remake, mas esse não aborda a história completa como faz o seu Demake.


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 Sogoken
08/04/2020 
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