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Yakuza 0 Yakuza 0

A máfia japonesa dos anos 80

Yakuza 0 é a prequela da série Yakuza que se tornou o jogo mais importante da Sega depois de sair do mercado de consoles.


  • Nome: Yakuza 0
  • Plataforma: Playstation 4
  • Lançado: 24/01/2017
  • Finalizado: 11/09/2018
  • Duração: 86 Horas


intro

Quando o Playstation 2 foi lançado e o custo de produção dos jogos foi para as alturas, o mercado japonês começou a entrar em crise, porque tinha que competir com os grandes títulos do ocidente. Enquanto todas as empresas se concentravam em jogos de esportes, fantasia ou militar, porque segundo os japoneses era isso que os ocidentais consumiam, Toshihiro Nagoshi resolveu seguir um caminho diferente onde seu objetivo era: Não importa se vendemos o jogo no ocidente, não importa se o público feminino curte a ideia, que seja proibido para menores e que o protagonista tenha um nome bacana como Kazuma Kiryu.

Toshihiro Nagoshi já tinha experiência dentro da Sega, trabalhando em jogos como Virtua Racing, Super Monkey Ball, foi escalado para ajudar Yu Suzuki a lançar o Shenmue que sofria problemas de atraso, quando a Sega deixou o mercado de hardware, ele foi o primeiro a ir “espionar” a Nintendo, trabalhando em F-Zero GX/AX graças a uma espécie de parceria entre a Nintendo e a Sega.

Mesmo com esse histórico invejável, Toshihiro teve seu projeto negado duas vezes seguidas, e isso foi quando a Sega quase abriu falência e teve que se juntar com a Sammy para sobreviver. Toshihiro então decidiu passar por cima do CEO e apresentou o projeto para o novo dono da empresa, e colocando o seu emprego em risco finalmente recebeu a aprovação para tirar Yakuza do papel.

Detalhe que o Toshihiro apresentou a ideia para a Microsoft e Nintendo, mas a Sony foi a única que aprovou, e depois do sucesso, convenientemente temos Yakuza em todas as plataformas.

Lançado em 2015 no Japão para o Playstation 3 e 2 anos mais tarde para o resto do mundo no Playstation 4, Yakuza 0 é o décimo primeiro título da saga Yakuza, e se trata de uma prequela dos títulos anteriores. O jogo utiliza a engine do Yakuza 5, e é um dos títulos mais completos se tornando perfeito para qualquer iniciante que deseja se aventurar nessa série.

Yakuza 0

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historia

A história é fortemente inspirada no boom imobiliário que ocorreu na economia japonesa na segunda metade dos anos 80. Aqui estamos no ano de 1988 e o jogo nos apresenta dois protagonistas, Kazuma Kiryu e Goro Majima, que foram envolvidos no incidente que ficou conhecido como “a disputa do lote vazio”.

Este lote era economicamente estratégico para o clã Tojo, que é um dos vários clãs que existem na Yakuza (máfia japonesa) que tem sua sede em Tokyo. As famílias subsidiárias do clã Tojo, lutavam entre si para conseguir o controle desse lote, com o objetivo de conseguir maior poder econômico e prestígio em relação às outras famílias.

Uma das mais poderosas famílias do clã Tojo, é a família Dojima, e Kazuma Kiryu é um dos seus membros. Os eventos relacionados a Kazuma Kiryu se passam em Kamurocho que é um distrito fictício baseado no distrito de Kabukicho que é conhecido por ser o distrito da putaria e coisas ilegais que fica no bairro de Shinjuku que é conhecido por ser um dos principais centros comerciais de Tokyo.

Nos eventos de Yakuza 0, Kazuma Kiryu acaba se envolvendo e sendo culpado por um assassinato que aconteceu como resultado da briga pelo lote, e os comandantes da família Dojima forçam a Kiryu abandonar a família para não chamar a atenção da polícia. Cabe a Kazuma Kiryu provar a sua inocência e encontrar o verdadeiro culpado.

Por outro lado, depois de desafiar a família Shimano em uma tentativa de assassinato que falhou, conhecemos o ex yakuza Goro Majima, que como punição está a um ano sendo obrigado a trabalhar como anfitrião de um clube de cabaré em Sotenbori, que é baseado na atração turística Dotonbori que fica no distrito de Namba na cidade de Osaka.

Nos eventos de Yakuza 0, Goro Majima recebe a oportunidade de recuperar a sua liberdade caso possa assassinar uma certa pessoa que tem uma forte conexão com os eventos do lote. Conforme avançamos na história, vamos alternando entre Kazuma Kiryu em Tokyo e Goro Majima em Osaka, ao mesmo tempo que entendemos a conexão entre os eventos que ocorrem de maneira paralela

Yakuza 0

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Parte Boa

Uma imersão bizarramente quase real

Um dos pontos mais fortes da série Yakuza, é conseguir contar uma história dramática e emocionante, misturando elementos reais com elementos fictício, dando um gostinho ao jogador de como é viver no Japão em si.

Por outro lado, existem vários momentos bizarros e engraçados, principalmente nas sidequests, onde temos que fazer coisas simples como comprar cachaça para o mendigo, lutar contra bandidos para conseguir uma cópia do cobiçado Arakure Quest 3 (referência ao lançamento do Dragon Quest III que também saiu em 1988), e até mesmo vencer o campeonato de Pocket Circuit (Autorama) da cidade.

Outro ponto interessante é que os distritos de Tokyo e Osaka representa bem os anos 80 e podemos passar horas observando os detalhes das construções e as pessoas que vivem na cidade. Inclusive o jogo te incentiva prestar atenção em tudo, porque pelo mapa existem vários colecionáveis que podem te dar boas recompensas além de colecionar cartinhas das modelos JAV (Japanese Adult Video), que são modelos reais do Japão que seria o equivalente as modelos da Playboy por exemplo.

Existem vários momentos na série que o jogo faz referências a personagens da série e até mesmo mostra o vilão do Yakuza 2 quando era adolescente em uma sidequest que funciona como fanservice.

Falando nisso, Toshihiro Nagoshi tem tanto respeito com os fãs, que decidiu deixar o Goro Majima, um NPC que foi ficando popular enquanto a série Yakuza avançava, como um personagem jogável, e deu um background interessante para ele. Toshihiro também sabe criar personagens interessantes que podem passar mais emoção ao jogador, por atuação com a voz e tecnologia de captura de movimentos de atores reais e famosos do Japão, e foi graças a detalhes como esses que Yakuza faz tanto sucesso, se tornando um o carro chefe da Sega.

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Muita coisa para fazer

As duas cidades que Yakuza 0 nos apresenta é movimentada, e tem muita coisa para fazer e pode se tornar um pesadelo para quem quiser completar o game 100%. Cada restaurante tem seu próprio menu e o jogo te recompensa por comer todos os pratos e tomar todas as bebidas.

Também existem vários minigames simples como competição de dança, pescaria, máquinas de pegar pelucias, jogos de carta. Outros minigames mais interessantes como jogar os clássicos de arcade da sega como Out Run, Hang On e Fantasy Zone. E os bizarros como alugar videos das modelos JAV, Disk Sex e UFC de mulheres de biquine.

Entre os minigames quero destacar 3 que são os meus favoritos, e que me divertiu por muito tempo: Pocket Circuit, Cabaret Hosting Club e o Real Estate Royale.

No Pocket Circuit existem várias sidequests, onde temos que vencer corridas de autorama contra os meninos do bairro, e nos tornar o melhor corredor. Para atingir o nosso objetivo, temos que encontrar ou comprar peças customizadas para o nosso carrinho, fazer os ajustes necessários para cada pista e campeonato, e até mesmo podemos criar a nossa própria pista. Pode não parecer, mas esse é um minigame que pode sair bem caro, sendo que algumas peças podem custar milhões de yen, mas é pra isso que temos o próximo minigame.

No Real Estate Royale temos que alugar os imóveis em Kamurocho e oferecer proteção a esses imóveis enquanto lutamos contra os 5 Bilionários. Aqui o mapa é dividido em 5 sessões, e cada uma delas é controlada por um Bilionário, e conforme vamos investindo, vamos ganhando controle da área no melhor estilo Banco Imobiliário, além de receber muito dinheiro por isso. O lado ruim é que esse minigame podemos jogar apenas com o Kazuma, porque o Goro tem outro minigame.

Todo Yakuza tem um minigame onde gerenciamos um clube de cabaré, só que dessa vez o minigame veio mais completo do que nunca. Podemos vestir e maquiar as nossas meninas para conseguir mais clientes, também podemos interagir com elas para aumentar a suas habilidades, além de que cada menina pode subir de level se tornando uma verdadeira máquina de ganhar dinheiro. Além de recrutar as meninas, temos que ordenar os turnos para que elas não fiquem esgotadas, tudo para vencer o campeonato de cabarés e ser o melhor cabaré de Sotenbori.

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Não pode faltar a ação

Por se tratar de um jogo da série Yakuza, temos muita ação por aqui. As batalhas funcionam de maneira randômica, e sempre esbarramos nos delinquentes espalhados pela cidade.

Cada protagonista tem 3 estilos de luta, e um quarto estilo secreto que só fica disponível quando cumprimos determinadas condições. Podemos trocar o estilo de luta pressionando um único botão no meio do combate, e cada estilo tem as suas diferenças: Temos o estilo mais lento e poderoso, outro mais rápido que dá menos dano e o terceiro que seria o balanceado. O jogo nos apresenta vários inimigos que são mais fortes ou fracos contra determinado estilo de luta e essa mecanica deixa as lutas mais divertidas.

Cada estilo de luta tem sua árvore de habilidade que podemos destravar com dinheiro, além de poder aprender algumas habilidades completando sidequest de NPCs específicos. Se gastar tempo suficiente destravando as habilidades, o jogo vai te dar um sistema de luta bem fluido e divertido, e a sensação de ser extremamente poderoso e invencível, mas não se engane, apesar do jogo ficar um pouco mais fácil, alguém do clã Amon vai estar lá para chutar a sua bunda.

O clã Amon é bem famoso da série Yazuka, e a sua participação é enviar um chefe secreto que sempre vai estar disposto a tirar o máximo de habilidade do jogador. Infelizmente nunca consegui vencer um Amon, mas o lado bom é que esse é um desafio totalmente opcional para quem tiver habilidade suficiente.

Por outro lado os chefes normais do jogo, oferecem batalhas épicas e vários momentos de quick time events que são bem divertidos. Além disso existem os finish blows que são bem variados, onde usamos nossa barra de energia para dar um golpe brutal no inimigo da maneira mais cinematográfica e sangrenta possível, tirando uma boa quantidade de vida do oponente.

Todas as falas importantes do jogo são dublada, e o fato de ser tudo em japonês, dá uma boa imersão ao jogador, já que os atores atuam de maneira majestosa nos diálogos passando bem a emoção na hora dos gritos e palavrões.

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Parte Ruim

Sem liberdade

Diferente de um GTA da vida, o jogo não te deixa ir para qualquer lugar. Existem várias paredes invisíveis que não deixa o jogador avançar, várias portas que não se abrem, e como o foco é na história, o jogo não deixa que ataquemos a qualquer pessoa, pois toda batalha que acontece se trata de defender quando somos atacados e nunca o contrário.

Apesar de trocar a roupa dos personagens em momentos específicos da narrativa, o jogo não nos permite customizar a roupa dos protagonistas entre as missões. Ou seja, temos um minigame de vestir e maquiar modelos, mas com o nosso personagem não podemos fazer nada.

Outra coisa que eu não gosto, é que apesar do jogo te deixar utilizar armas nas batalhas, como espadas, bastões e revólveres, esses itens tem a durabilidade muito baixa e se quebram depois de pouco uso. Entendo que isso é para não deixar o jogo fácil demais, mas seria bom se a minha espada super cara não se partisse depois de 10 ataques.

Outro ponto negativo é que os melhores minigames só ficam disponíveis depois do capítulo 5, e não podemos trocar dinheiro entre os protagonistas, até o capítulo final. Ou seja, se ganhamos muito dinheiro com o Kazuma, não podemos passar esse dinheiro para o Goro, então é como se jogássemos dois jogos ao mesmo tempo, cada capítulo com um protagonista diferente que começa do zero, então se fizer grind, tem que fazer duas vezes.

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Mecanicas antigas

Apesar de ter melhorado em relação aos títulos anteriores, a interface continua bem feia. O menu é horrível, nada caprichado, e a maioria dos minigames sofrem do mesmo problema de menu sem graça. Os diálogos comuns costumam ter muito texto, e em momento nenhum temos indicação de quem está falando, além do nome da pessoa no topo do diálogo, algo que era bem comum nos jogos antigos dos anos 90.

Falando em texto, a equipe de tradução teve que traduzir mais de 1.8 milhões de caracteres japoneses, sendo que um JRPG normal tem em média 1 milhão de caracteres. Isso pode parecer algo bom, mas na verdade a maioria dos diálogos são complementos de diálogos que não vão servir de nada depois de terminar uma sidequest de 3 minutos por exemplo, e isso deixa os diálogos bem cansativos e chega um momento que acabamos pulando toda a enrolação. Como dizia o ditado: Menos é mais.

O jogo tem como 15 inimigos básicos, e esses inimigos sempre se repetem e não existe uma variação conforme avançamos no jogo. Claramente não é por falta de hardware como acontecia antigamente, onde mudavam a cor do inimigo para diferenciar. Nesse sentido poderiam ter dado um pouco mais de atenção, adicionando uma quantidade maior de inimigos.

Yakuza 0

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Conclusão

RankX

Yakuza 0 consegue juntar tudo de melhor da série Yakuza em um único jogo. Com dois protagonistas que nos apresenta duas histórias de maneira paralela, alternando entre os capítulos de uma narrativa envolvente, com personagens carismáticos, em um desfecho que une todas as pontas soltas, através de muita ação e conteúdo extra que pode se tornar um pesadelo para quem quiser finalizar com 100%. Infelizmente o jogo nao da tanta liberdade ao jogador, e mesmo com uma interface antiga e diálogos desnecessários é sem dúvida imperdível para qualquer fã da cultura japonesa.

Definitivamente vale a pena conhecer essa franquia que foi contra as tendências de mercado para se tornar uma experiência única.


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 Sogoken
08/06/2020 
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