Hero Quest

Sogoken 20/09/2017
Dragon Quest V

Yuji Horii e o desafio dos 16-bits

Dragon Quest V

Dragon Quest V se aproveita do hardware do Super Nintendo, para nos entregar algo mais próximo dos jRPG que conhecemos, que tem como característica o foco na narrativa.

  • Nome: Dragon Quest V
  • Plataforma: NDS
  • Lançado: 17/02/2009
  • Finalizado: 20/08/2017
  • Duração: 37 Horas

intro

Depois do incrível sucesso de Dragon Quest IV, Yuji Horii tinha a pressão e expectativa dos fãs para evoluir sua amada franquia para a era dos 16-bits

O ano era 1992, e o Super Nintendo nem tinha completado 1 ano de vida, mas este foi o ano que Yuji Horii nos apresentou Dragon Quest V, este que seria o seu Dragon Quest favorito.

Lembrando que estarei comentando este título, tendo como base o ano em que ele foi lançado, além de que farei muita comparação com os jogos anteriores, então se ainda não leu as análises, pode seguir este guia aqui.

Dragon Quest V Personagens


Parte Boa

Narrativa

Com apenas 6 anos você é filho de Pankraz, e parte com seu pai em uma jornada que ainda não é muito clara para nós.

Depois de se aventurar com sua amiga Bianca, uma garota que conheceu em uma vila, você acompanha Pankraz que é chamado pelo o rei.

Resumindo por cima, você descobre que sua mãe está viva e presa no submundo, e agora você parte em uma jornada para salvar sua mãe das mãos do terrível Ladja. Como o lendário Herói tem acesso ao submundo, você parte em busca deste Herói, e essa é a motivação inicial da história, mas o interessante aqui é que o jogo mostra a jornada do herói durante 30 anos de sua vida, o que alguns chamam de três gerações.

Você inicia com 6 anos, conhece várias pessoas, passam alguns anos e você reencontra as pessoas, passa mais alguns anos e você casa e tem filhos e no final você está lutando ao lado de seus filhos e encerra a sua jornada.

Essa é uma narrativa que nunca tinha visto em nenhum outro jRPG (talvez Fire Emblem), mas é interessante citar que na época que saiu este jogo, Akira Toriyama estava trabalhando na saga do Cell em Dragon Ball, que é uma saga que o foco é no Gohan, filho do personagem principal, e também tem elementos de viagem no tempo.

Aqui em Dragon Quest V, o seu filho é o único personagem que pode utilizar o equipamento do Herói e também tem elementos de viagem no tempo. Seria essa uma influência de Akira Toriyama?


Casamento e filhos

Conforme comentei anteriormente, este é um jogo em que podemos casar o nosso personagem. A diferença aqui é que você pode escolher uma entre três esposas (na versão do DS), e essa escolha vai influenciar na característica dos seus filhos assim como habilidades, além de mudar alguns pontos da história principal.

Esse ponto de casar é bem interessante, porque existe toda uma história absurda por trás desse casamento, mas é legal ver essa parte da vida dos personagens. Na verdade é bem legal ver a evolução das coisas como um todo.

O que eu quero dizer é que este é um mundo “mais realista”, é a jornada de uma vida, não é uma aventura rápida que o seu personagem tem um lapso de protagonismo. Aqui vemos toda a vida do personagem, vitórias e derrotas, e é claro que o casamento é uma das vitórias na vida do nosso personagem e isso é muito legal de ser visto.

Outra vitória é quando nasce os seus filhos. A esposa que você escolher vai dar a luz a um menino e uma menina, que você pode escolher os nomes, e graças aos conceitos de viagem no tempo, o jogo te permite lutar ao lado deles. Mas não se engane os elementos de viagem no tempo aqui não tem nada a ver com o conceito de jogos como Tales of Phantasia ou Chrono Trigger.


Conversa entre membros

Como podem ver o jogo tem um foco pesado na narrativa, e para ajudar na imersão, adicionaram a opção de bate papo entre os membros.

A qualquer momento da história, você pode ir na opção de conversa, e os membros do seu grupo vão comentar sobre determinado evento, ou determinado lugar, situação, problema e etc. Além de ocasionalmente dar dicas dos próximos passos da sua jornada.

Essas conversas são bem interessantes e totalmente opcionais. É possível terminar este título sem nunca ter visto alguma conversa paralela, mas elas são tão divertidas que eu recomendo fortemente que percam alguns minutos vendo o que sua equipe tem a dizer.


Recrutamento de monstros

Como o jogo decorre por vários anos, e nem todos os personagens podem ficar no seu grupo o tempo inteiro, por razões de narrativa, o personagem principal ficaria muito sozinho em sua jornada, mas para resolver este problema foi criado o sistema de recrutamento de monstros.

Ao derrotar algum monstro, aleatoriamente existe a possibilidade de que este monstro queira seguir com você, e caso você aceite, ele se torna parte da sua equipe. Cada monstro pode subir de level, eles têm suas próprias habilidades, mas infelizmente nem todos monstros podem ser recrutados.

Essa é uma mecânica teve uma aceitação tão boa, que foi criado uma franquia spinoff chamada Dragon Quest Monsters, que muita gente diz ser cópia de Pokémon. Só lembrando que Pokémon veio bem depois de Dragon Quest V.

O único problema desse sistema é que o recrutamento é totalmente aleatório, o jogador não tem nenhum controle sobre isso, mas pelo menos na versão do DS existe um bestiário que é um livro que funciona mais ou menos como uma Pokédex. Lembrando que esse conceito de bestiário já existia desde o Dragon Quest IV.


Mecânicas e pormenores

Aqui vou fazer mais um comparativo com os títulos anteriores, citando o que foi alterado.

Além do barquinho e viagem aérea, foi adicionado um tapete mágico para viajar pelo mapa. Esse tapete mágico pode andar tanto na terra quanto na água, mas não passa por cima de montanhas ou árvores.

Além do minigame do tabuleiro, e do caça níquel que já vimos nos jogos anteriores, foi adicionado a corrida de slime, e agora que você pode recrutar monstros, você pode colocar seu próprio slime nessa corrida, uma mecânica bem similar a corrida de chocobos que vimos em Final Fantasy VII.

E por último existe algo que acontece com o Herói, que ninguém esperava, mas é algo que vimos em Chrono Trigger, então quem jogou os dois títulos sabe do que estou falando, mas que não posso dizer aqui porque não quero estragar experiência de ninguém, mas que com certeza é um ponto positivo para o título.


Dragon Quest V Mapa


Parte Ruim

Grind

Apesar da ideia do sistema de recrutamento de monstros ser espetacular, isso gerou um problema gigante de Grind. Mas o “bom” é que o jogo “te ajuda” adicionando batalhas aleatórias a cada 2 passos, ou seja, aparentemente esse problema foi intencional.

Suponhamos que você esteja no level 40, ai você recruta um monstro novo, certo? O problema que esse novo monstro vem no level 1, e se por alguma razão você queira utilizá-lo, só te resta a recorrer ao famoso grind.

O mesmo ocorre com os outros personagens. Como comentei anteriormente, por várias vezes por motivos de narrativa, alguns personagens não vão estar todo o momento na sua party, mas eles podem voltar mais tarde, e adivinha só? O level deles seguem o mesmo.

Lembra dos seus filhos? Então, eles também entram pra party no level 1, te obrigando a grindar, caso queira utilizar eles em combate e infelizmente aumentar o nível de personagens mais fracos é bem demorado, pois exige a mesma quantidade de experiência, independente se alguém da sua equipe está 50 níveis acima.

Pokémon por exemplo resolveu isso dando experiência bônus para monstros mais fracos, te ajudando a subir até 20 níveis em uma única batalha, dependendo de contra quem você está lutando, mas que infelizmente não foi criada neste título.


Não conseguiu evoluir totalmente

Apesar do jogo ter evoluído em vários aspectos, existem alguns outros que sofreram regressão.

Como o jogo tem foco na narrativa, casamento e etc, não é possível escolher o sexo do personagem principal. Acredito que essa limitação é porque caso escolhêssemos jogar com uma mulher, o jogo teria que trocar as esposas por noivos, algo que exigiria mais da equipe, principalmente considerando o plot e conversas paralelas.

O chefe final deixa muito a desejar, principalmente depois de um chefe épico como foi o de Dragon Quest IV. Não existe uma razão por trás das ações do vilão, ele é simplesmente mau. Depois de ver como a série foi evoluindo, com certeza esse foi um ponto de regressão.

O final é bem parecido com o dos jogos anteriores, a diferença aqui é que ao passar em cada cidade, você pode assumir o controle dos personagens e conversar com os npcs para saber o que aconteceu com cada um deles, além de poder ouvir os comentários da sua equipe. Mas essa interação é totalmente opcional, e na verdade não achei que vale tanto a pena, pois não adiciona muito na história. Eu sinceramente fiquei muito mais satisfeito com o final de Dragon Quest IV, o que conta como ponto negativo para Dragon Quest V.

E por fim existe um sistema inútil de colecionáveis, que em teoria era para decorar seu museu, para poder mostrar para os seus amigos no online, mas que na verdade é bem chato, e também não tem o lendário puff-puff.


Dragon Quest V Batalha


Conclusão

RankA

É difícil falar desse jogo sem dar spoilers, mas este título é o Dragon Quest favorito de muita gente, e talvez se eu tivesse jogado ele na época em que saiu, seria o meu favorito também.

Agora que eu joguei os outros títulos da franquia, achei ele inferior a Dragon Quest IV, principalmente pelo uso abusivo do grind. Mas não me entenda mal, apesar de não ter conseguido superar as minhas expectativas, este jogo é excelente.

Se você gosta de uma boa narrativa e não liga tanto de fazer grind, com certeza este é um título que merece a sua atenção.


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